O Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) é um transtorno neurobiológico, de causas genéticas, que aparece na infância e freqüentemente acompanha o indivíduo por toda a sua vida. Ele se caracteriza por sintomas de desatenção, inquietude e impulsividade. Ele é chamado às vezes de DDA (Distúrbio do Déficit de Atenção).
O TDAH se caracteriza por uma combinação de dois tipos de sintomas:
1)Desatenção
2) Hiperatividade-impulsividade
O TDAH na infância em geral se associa a dificuldades na escola e no relacionamento com demais crianças, pais e professores. As crianças são tidas como "avoadas", "vivendo no mundo da lua" e geralmente "estabanadas" e com "bicho carpinteiro" ou “ligados por um motor” (isto é, não param quietas por muito tempo). Os meninos tendem a ter mais sintomas de hiperatividade e impulsividade que as meninas, mas todos são desatentos. Crianças e adolescentes com TDAH podem apresentar mais problemas de comportamento, como por exemplo, dificuldades com regras e limites.
Em adultos, ocorrem problemas de desatenção para coisas do cotidiano e do trabalho, bem como com a memória (são muito esquecidos). São inquietos (parece que só relaxam dormindo), vivem mudando de uma coisa para outra e também são impulsivos ("colocam os carros na frente dos bois"). Eles têm dificuldade em avaliar seu próprio comportamento e quanto isto afeta os demais à sua volta. São freqüentemente considerados “egoístas”. Eles têm uma grande freqüência de outros problemas associados, tais como o uso de drogas e álcool, ansiedade e depressão.
Quais são as causas do TDAH?
Já existem inúmeros estudos em todo o mundo - inclusive no Brasil - demonstrando que a prevalência do TDAH é semelhante em diferentes regiões, o que indica que o transtorno não é secundário a fatores culturais (as práticas de determinada sociedade, etc.), o modo como os pais educam os filhos ou resultado de conflitos psicológicos.
Estudos científicos mostram que portadores de TDAH têm alterações na região frontal e as suas conexões com o resto do cérebro. A região frontal orbital é uma das mais desenvolvidas no ser humano em comparação com outras espécies animais e é responsável pela inibição do comportamento (isto é, controlar ou inibir comportamentos inadequados), pela capacidade de prestar atenção, memória, autocontrole, organização e planejamento.
O que parece estar alterado nesta região cerebral é o funcionamento de um sistema de substâncias químicas chamadas neurotransmissores (principalmente dopamina e noradrenalina), que passam informação entre as células nervosas (neurônios).
Existem causas que foram investigadas para estas alterações nos neurotransmissores da região frontal e suas conexões.
A) Hereditariedade:
Os genes parecem ser responsáveis não pelo transtorno em si, mas por uma predisposição ao TDAH. A participação de genes foi suspeitada, inicialmente, a partir de observações de que nas famílias de portadores de TDAH a presença de parentes também afetados com TDAH era mais freqüente do que nas famílias que não tinham crianças com TDAH. A prevalência da doença entre os parentes das crianças afetadas é cerca de 2 a 10 vezes mais do que na população em geral (isto é chamado de recorrência familial).
Porém, como em qualquer transtorno do comportamento, a maior ocorrência dentro da família pode ser devido a influências ambientais, como se a criança aprendesse a se comportar de um modo "desatento" ou "hiperativo" simplesmente por ver seus pais se comportando desta maneira, o que excluiria o papel de genes. Foi preciso, então, comprovar que a recorrência familial era de fato devida a uma predisposição genética, e não somente ao ambiente. Outros tipos de estudos genéticos foram fundamentais para se ter certeza da participação de genes: os estudos com gêmeos e com adotados. Nos estudos com adotados comparam-se pais biológicos e pais adotivos de crianças afetadas, verificando se há diferença na presença do TDAH entre os dois grupos de pais. Eles mostraram que os pais biológicos têm 3 vezes mais TDAH que os pais adotivos.
Os estudos com gêmeos comparam gêmeos univitelinos e gêmeos fraternos (bivitelinos), quanto a diferentes aspectos do TDAH (presença ou não, tipo, gravidade etc...). Sabendo-se que os gêmeos univitelinos têm 100% de semelhança genética, ao contrário dos fraternos (50% de semelhança genética), se os univitelinos se parecem mais nos sintomas de TDAH do que os fraternos, a única explicação é a participação de componentes genéticos (os pais são iguais, o ambiente é o mesmo, a dieta, etc.). Quanto mais parecidos, ou seja, quanto mais concordam em relação àquelas características, maior é a influência genética para a doença. Realmente, os estudos de gêmeos com TDAH mostraram que os univitelinos são muito mais parecidos (também se diz "concordantes") do que os fraternos, chegando a ter 70% de concordância, o que evidencia uma importante participação de genes na origem do TDAH.
A partir dos dados destes estudos, o próximo passo na pesquisa genética do TDAH foi começar a procurar que genes poderiam ser estes. É importante salientar que no TDAH, como na maioria dos transtornos do comportamento, em geral multifatoriais, nunca devemos falar em determinação genética, mas sim em predisposição ou influência genética. O que acontece nestes transtornos é que a predisposição genética envolve vários genes, e não um único gene (como é a regra para várias de nossas características físicas, também). Provavelmente não existe, ou não se acredita que exista, um único "gene do TDAH". Além disto, genes podem ter diferentes níveis de atividade, alguns podem estar agindo em alguns pacientes de um modo diferente que em outros; eles interagem entre si, somando-se ainda as influências ambientais. Também existe maior incidência de depressão, transtorno bipolar (antigamente denominado Psicose Maníaco-Depressiva) e abuso de álcool e drogas nos familiares de portadores de TDAH.
B) Substâncias ingeridas na gravidez:
Tem-se observado que a nicotina e o álcool quando ingeridos durante a gravidez podem causar alterações em algumas partes do cérebro do bebê, incluindo-se aí a região frontal orbital. Pesquisas indicam que mães alcoolistas têm mais chance de terem filhos com problemas de hiperatividade e desatenção. É importante lembrar que muitos destes estudos somente nos mostram uma associação entre estes fatores, mas não mostram uma relação de causa e efeito.
C) Sofrimento fetal:
Alguns estudos mostram que mulheres que tiveram problemas no parto que acabaram causando sofrimento fetal tinham mais chance de terem filhos com TDAH. A relação de causa não é clara. Talvez mães com TDAH sejam mais descuidadas e assim possam estar mais predispostas a problemas na gravidez e no parto. Ou seja, a carga genética que ela própria tem (e que passa ao filho) é que estaria influenciando a maior presença de problemas no parto.
D) Exposição a chumbo:
Crianças pequenas que sofreram intoxicação por chumbo podem apresentar sintomas semelhantes aos do TDAH. Entretanto, não há nenhuma necessidade de se realizar qualquer exame de sangue para medir o chumbo numa criança com TDAH, já que isto é raro e pode ser facilmente identificado pela história clínica.
E) Problemas Familiares:
Algumas teorias sugeriam que problemas familiares (alto grau de discórdia conjugal, baixa instrução da mãe, famílias com apenas um dos pais, funcionamento familiar caótico e famílias com nível socioeconômico mais baixo) poderiam ser a causa do TDAH nas crianças. Estudos recentes têm refutado esta idéia. As dificuldades familiares podem ser mais conseqüência do que causa do TDAH (na criança e mesmo nos pais).
Problemas familiares podem agravar um quadro de TDAH, mas não causá-lo.
SINTOMAS DE FALTA DE ATENÇÃO
A atenção é um requisito fundamental para a aprendizagem, devendo ser orientada para um estímulo relevante de entre outros e manter-se nele por um período de tempo alargado.
Os sintomas indicadores de falta de atenção, de acordo com o DSM-IV, são os seguintes:
• Não prestar atenção suficiente aos pormenores ou cometer erros por descuido nas tarefas escolares, no trabalho ou noutras atividades lúdicas.
• Ter dificuldade em manter a atenção em tarefas ou atividades.
• Parecer não ouvir quando se lhe dirigem diretamente.
• Não seguir as instruções e não terminar os trabalhos escolares ou outras tarefas.
• Ter dificuldade em organizar-se.
• Evitar as tarefas que requerem esforço mental persistente.
• Perder objetos necessários a tarefas ou atividades que terá de realizar.
• Distrair-se facilmente com estímulos irrelevantes.
• Esquecer-se com frequência de atividades quotidianas ou de algumas rotinas.
Os sintomas indicadores de falta de atenção, de acordo com o DSM-IV, são os seguintes:
• Não prestar atenção suficiente aos pormenores ou cometer erros por descuido nas tarefas escolares, no trabalho ou noutras atividades lúdicas.
• Ter dificuldade em manter a atenção em tarefas ou atividades.
• Parecer não ouvir quando se lhe dirigem diretamente.
• Não seguir as instruções e não terminar os trabalhos escolares ou outras tarefas.
• Ter dificuldade em organizar-se.
• Evitar as tarefas que requerem esforço mental persistente.
• Perder objetos necessários a tarefas ou atividades que terá de realizar.
• Distrair-se facilmente com estímulos irrelevantes.
• Esquecer-se com frequência de atividades quotidianas ou de algumas rotinas.
DICAS PARA CAPTAR A ATENÇÃO DOS ALUNOS
Prender a atenção dos seus alunos nem sempre é tarefa fácil, especialmente se estes são hiperativos, disléxicos ou têm outra dificuldade de aprendizagem, mas é possível e concerteza recompensador!
Aqui ficam algumas dicas:
• Faça perguntas interessantes, use imagens, conte histórias, leia um poema, veja um filme para gerar a discussão e o interesse naquilo que pretende ensinar;
• Comece a aula com uma brincadeira, uma dramatização ou mímica para despertar a atenção;
• Esconda um objeto relevante para a aula numa caixa ou num saco, assim consegue despertar a curiosidade e motivar a discussão do tema ou conseguir o ponto de partida para um trabalho escrito;
• Chame a atenção dos alunos com algum som, por exemplo, uma campainha, um despertador, um instrumento musical, etc;
• Use vários tons de voz: alto, baixo, a sussurrar;
• Use a expressão corporal e sinais visuais: acender e apagar as luzes, levantar as mãos, bater palmas, etc, para dar instruções aos alunos;
• Use a cor para despertar a atenção;
• Demonstre entusiasmo e excitação sobre a aula, isso é contagioso;
• Olhe nos olhos dos alunos quando fala com eles.
Aqui ficam algumas dicas:
• Faça perguntas interessantes, use imagens, conte histórias, leia um poema, veja um filme para gerar a discussão e o interesse naquilo que pretende ensinar;
• Comece a aula com uma brincadeira, uma dramatização ou mímica para despertar a atenção;
• Esconda um objeto relevante para a aula numa caixa ou num saco, assim consegue despertar a curiosidade e motivar a discussão do tema ou conseguir o ponto de partida para um trabalho escrito;
• Chame a atenção dos alunos com algum som, por exemplo, uma campainha, um despertador, um instrumento musical, etc;
• Use vários tons de voz: alto, baixo, a sussurrar;
• Use a expressão corporal e sinais visuais: acender e apagar as luzes, levantar as mãos, bater palmas, etc, para dar instruções aos alunos;
• Use a cor para despertar a atenção;
• Demonstre entusiasmo e excitação sobre a aula, isso é contagioso;
• Olhe nos olhos dos alunos quando fala com eles.
ANSIEDADE
Transtornos de ansiedade
Preocupar-se e ficar ansioso é uma reação normal e necessária para a boa adaptação à sociedade e ao ambiente.
Quando a ansiedade existe de forma excessiva e inadequada, compromete as idéias que um indivíduo tem a respeito de si mesmo, sobre o ambiente ao seu redor - e constituirá uma doença.
É freqüente atribuir as doenças psiquiátricas a uma falta de "força" ou de "caráter". Não se trata disso. Existem as reações normais e esperadas e as anormais, que quando consideradas doenças, demandam tratamento específico.
A ansiedade pode estar presente como característica de diversas doenças, como depressão, hipertireoidismo e abuso de cafeína. Há um grupo de doenças no qual a ansiedade é o sintoma determinante. Existem características diferentes em cada uma das doenças deste grupo, os Transtornos de Ansiedade:
Agorafobia
Ataque de Pânico (AP)
Transtorno de Pânico (TP) com e sem Agorafobia
Fobia Específica
Transtorno de Ansiedade Social (TAS) ou Fobia Social
Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC)
Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT)
Transtorno de Estresse Agudo
Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG)
Transtorno de Ansiedade Devido a uma Condição Médica Geral
Transtorno de Ansiedade Induzido por Substância
Como os indivíduos com transtornos de ansiedade podem tentar “tratar-se por conta própria” é comum a associação com o abuso de substâncias, principalmente com o álcool. Substâncias ilícitas como a maconha e a cocaína também são utilizadas com essa finalidade.
Transtorno do Pânico
A característica essencial do Transtorno do Pânico é a presença de Ataques de Pânico (AP) recorrentes e inesperados, de freqüência e intensidade variáveis, seguidos por ao menos 1 mês de preocupação persistente de ter um outro AP, com suas possíveis conseqüências, ou de uma alteração significativa do comportamento.
Os AP podem estar presentes em diversas doenças e podem ser de 3 tipos: inesperados, ligados a situações e predispostos por situações. No TP, os AP são caracteristicamente inesperados e, em poucos casos, predispostos por situações. Existem também sentimentos constantes ou intermitentes de ansiedade não focalizada sobre qualquer situação ou evento específico. AP noturnos, que despertam o indivíduo, são característicos do TP.
O AP é caracterizado por um período de intenso temor ou desconforto, no qual 4 ou mais dos sintomas abaixo ocorrem abruptamente, e alcançam um pico em aproximadamente 10 minutos:
- coração acelerado
- suor aumentado
- tremores ou abalos
- sensações de falta de ar, sufocamento ou asfixia
- dor ou desconforto no peito
- náusea ou desconforto na barriga
- sensação de tontura, instabilidade, vertigem ou desmaio
- sensações de irrealidade de estar se distanciado de si mesmo
- medo de perder o controle ou enlouquecer
- medo de morrer
- parestesias (anestesia ou sensações de formigamento)
- calafrios ou ondas de calor
Indivíduos com TP temem que os sintomas signifiquem a presença de uma doença ameaçadora à vida, mesmo após a realização de diversos exames médicos. As preocupações com um próximo ataque, e suas implicações freqüentemente estão associadas com o desenvolvimento de um comportamento de evitação.
A depressão está muito associada ao TP; em alguns casos irá precedê-lo e em outros ocorrer ao mesmo tempo ou após. Em alguns dos indivíduos com TP há também o diagnóstico de TAS, e em outros de TAG.
A idade de início para o TP é muito variável, geralmente entre o final da adolescência e os 30 anos. Um pequeno número de casos começa na infância, e o início após os 45 anos é incomum. A evolução é geralmente crônica, porém oscila muito. Alguns indivíduos podem ter alguns surtos e ter intervalos longos, de muitos anos, sem sintomas, enquanto outros podem ter sintomas graves e contínuos, sem intervalos.
Transtorno de Ansiedade Social
A característica essencial do TAS é um medo acentuado e persistente de situações sociais ou de desempenho, nas quais o indivíduo sente-se muito constrangido. A exposição à situação social ou de desempenho provoca, na maioria dos casos, uma resposta imediata de ansiedade.
As pessoas com TAS percebem que seu medo é excessivo ou irracional. É comum que a situação social ou de desempenho seja evitada, embora às vezes seja suportada com grande sofrimento e irá interferir significativamente na rotina diária, no trabalho e/ou na vida social.
O medo de sentir um intenso constrangimento pode estar relacionado a diversas ações/situações, como falar, comer, beber ou escrever em público, o que o que fará com que o indivíduo as evite. Em alguns casos isso ocorrerá na grande maioria das situações vividas, e em outros direcionado a uma ou duas situações específicas.
Sintomas de ansiedade como palpitações, tremores, suor excessivo, desconforto no estômago e/ou intestino, diarréia, tensão muscular, rubor facial e confusão estão comumente presentes e, em alguns casos, esses sintomas podem ser idênticos a um AP. Também estão associados ao TAS: pouca tolerância a críticas, avaliações negativas ou rejeição, dificuldade em ser afirmativo e baixa auto-estima ou sentimento de inferioridade
Os comprometimentos variam em diferentes sociedades, pois dependem das influências culturais. As situações sociais que envolvem pessoas estranhas devem ser especialmente avaliadas, pois podem causar sintomas semelhantes, sem caracterizar doença.
O transtorno parece ser igualmente comum em homens e mulheres.
O TAS tipicamente se inicia em uma fase intermediária da adolescência, às vezes após uma história de inibição social ou timidez na infância. Alguns indivíduos relatam um início em uma fase precoce da infância. O início pode ocorrer abruptamente após uma experiência estressante ou humilhante, ou pode ser lento e progressivo. A evolução freqüentemente é contínua e pode durar para sempre, embora possa ter sua gravidade diminuída e até mesmo cessar durante a idade adulta. A gravidade dos comprometimentos pode oscilar de acordo com as exigências da vida.
Transtorno de ansiedade generalizada
A característica essencial do TAG é a existência de ansiedade ou preocupação excessivas, de difícil controle, relacionadas a diversos eventos ou atividades, na maioria dos dias, por pelo menos 6 meses. São acompanhadas de pelo menos três dos sintomas abaixo:
Inquietação
Cansaço excessivo
Dificuldade de concentração
Irritabilidade
Tensão muscular
Alterações do sono
A intensidade, duração ou freqüência da ansiedade ou preocupação são claramente desproporcionais ao evento temido. Nem sempre há a percepção da inadequação, apesar de existir a dificuldade em parar de se preocupar. Há a excessiva preocupação com circunstâncias cotidianas e rotineiras, tais como responsabilidades no emprego, finanças, saúde da família, ou com questões menores, como tarefas domésticas, consertos no automóvel. Os focos das preocupações podem mudar ao longo do tempo.
Sintomas depressivos e sintomas físicos, como tremores, dores musculares, mãos frias, boca seca, suor aumentado, enjôo, diarréia, aumento da freqüência urinária, dificuldade para engolir ou sensação de "nó na garganta" e uma resposta de sobressalto exagerada estão comumente associados.
O TAG pode ocorrer ao mesmo tempo que outras doenças. É diagnosticado mais em mulheres (55-60%) do que em homens.
A ansiedade e/ou o nervosismo começam na infância ou adolescência em mais da metade dos pacientes que buscam tratamento. A evolução da doença é crônica – mas oscila muito - e freqüentemente piora durante os períodos onde há muitas mudanças e exigências.
Preocupar-se e ficar ansioso é uma reação normal e necessária para a boa adaptação à sociedade e ao ambiente.
Quando a ansiedade existe de forma excessiva e inadequada, compromete as idéias que um indivíduo tem a respeito de si mesmo, sobre o ambiente ao seu redor - e constituirá uma doença.
É freqüente atribuir as doenças psiquiátricas a uma falta de "força" ou de "caráter". Não se trata disso. Existem as reações normais e esperadas e as anormais, que quando consideradas doenças, demandam tratamento específico.
A ansiedade pode estar presente como característica de diversas doenças, como depressão, hipertireoidismo e abuso de cafeína. Há um grupo de doenças no qual a ansiedade é o sintoma determinante. Existem características diferentes em cada uma das doenças deste grupo, os Transtornos de Ansiedade:
Agorafobia
Ataque de Pânico (AP)
Transtorno de Pânico (TP) com e sem Agorafobia
Fobia Específica
Transtorno de Ansiedade Social (TAS) ou Fobia Social
Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC)
Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT)
Transtorno de Estresse Agudo
Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG)
Transtorno de Ansiedade Devido a uma Condição Médica Geral
Transtorno de Ansiedade Induzido por Substância
Como os indivíduos com transtornos de ansiedade podem tentar “tratar-se por conta própria” é comum a associação com o abuso de substâncias, principalmente com o álcool. Substâncias ilícitas como a maconha e a cocaína também são utilizadas com essa finalidade.
Transtorno do Pânico
A característica essencial do Transtorno do Pânico é a presença de Ataques de Pânico (AP) recorrentes e inesperados, de freqüência e intensidade variáveis, seguidos por ao menos 1 mês de preocupação persistente de ter um outro AP, com suas possíveis conseqüências, ou de uma alteração significativa do comportamento.
Os AP podem estar presentes em diversas doenças e podem ser de 3 tipos: inesperados, ligados a situações e predispostos por situações. No TP, os AP são caracteristicamente inesperados e, em poucos casos, predispostos por situações. Existem também sentimentos constantes ou intermitentes de ansiedade não focalizada sobre qualquer situação ou evento específico. AP noturnos, que despertam o indivíduo, são característicos do TP.
O AP é caracterizado por um período de intenso temor ou desconforto, no qual 4 ou mais dos sintomas abaixo ocorrem abruptamente, e alcançam um pico em aproximadamente 10 minutos:
- coração acelerado
- suor aumentado
- tremores ou abalos
- sensações de falta de ar, sufocamento ou asfixia
- dor ou desconforto no peito
- náusea ou desconforto na barriga
- sensação de tontura, instabilidade, vertigem ou desmaio
- sensações de irrealidade de estar se distanciado de si mesmo
- medo de perder o controle ou enlouquecer
- medo de morrer
- parestesias (anestesia ou sensações de formigamento)
- calafrios ou ondas de calor
Indivíduos com TP temem que os sintomas signifiquem a presença de uma doença ameaçadora à vida, mesmo após a realização de diversos exames médicos. As preocupações com um próximo ataque, e suas implicações freqüentemente estão associadas com o desenvolvimento de um comportamento de evitação.
A depressão está muito associada ao TP; em alguns casos irá precedê-lo e em outros ocorrer ao mesmo tempo ou após. Em alguns dos indivíduos com TP há também o diagnóstico de TAS, e em outros de TAG.
A idade de início para o TP é muito variável, geralmente entre o final da adolescência e os 30 anos. Um pequeno número de casos começa na infância, e o início após os 45 anos é incomum. A evolução é geralmente crônica, porém oscila muito. Alguns indivíduos podem ter alguns surtos e ter intervalos longos, de muitos anos, sem sintomas, enquanto outros podem ter sintomas graves e contínuos, sem intervalos.
Transtorno de Ansiedade Social
A característica essencial do TAS é um medo acentuado e persistente de situações sociais ou de desempenho, nas quais o indivíduo sente-se muito constrangido. A exposição à situação social ou de desempenho provoca, na maioria dos casos, uma resposta imediata de ansiedade.
As pessoas com TAS percebem que seu medo é excessivo ou irracional. É comum que a situação social ou de desempenho seja evitada, embora às vezes seja suportada com grande sofrimento e irá interferir significativamente na rotina diária, no trabalho e/ou na vida social.
O medo de sentir um intenso constrangimento pode estar relacionado a diversas ações/situações, como falar, comer, beber ou escrever em público, o que o que fará com que o indivíduo as evite. Em alguns casos isso ocorrerá na grande maioria das situações vividas, e em outros direcionado a uma ou duas situações específicas.
Sintomas de ansiedade como palpitações, tremores, suor excessivo, desconforto no estômago e/ou intestino, diarréia, tensão muscular, rubor facial e confusão estão comumente presentes e, em alguns casos, esses sintomas podem ser idênticos a um AP. Também estão associados ao TAS: pouca tolerância a críticas, avaliações negativas ou rejeição, dificuldade em ser afirmativo e baixa auto-estima ou sentimento de inferioridade
Os comprometimentos variam em diferentes sociedades, pois dependem das influências culturais. As situações sociais que envolvem pessoas estranhas devem ser especialmente avaliadas, pois podem causar sintomas semelhantes, sem caracterizar doença.
O transtorno parece ser igualmente comum em homens e mulheres.
O TAS tipicamente se inicia em uma fase intermediária da adolescência, às vezes após uma história de inibição social ou timidez na infância. Alguns indivíduos relatam um início em uma fase precoce da infância. O início pode ocorrer abruptamente após uma experiência estressante ou humilhante, ou pode ser lento e progressivo. A evolução freqüentemente é contínua e pode durar para sempre, embora possa ter sua gravidade diminuída e até mesmo cessar durante a idade adulta. A gravidade dos comprometimentos pode oscilar de acordo com as exigências da vida.
Transtorno de ansiedade generalizada
A característica essencial do TAG é a existência de ansiedade ou preocupação excessivas, de difícil controle, relacionadas a diversos eventos ou atividades, na maioria dos dias, por pelo menos 6 meses. São acompanhadas de pelo menos três dos sintomas abaixo:
Inquietação
Cansaço excessivo
Dificuldade de concentração
Irritabilidade
Tensão muscular
Alterações do sono
A intensidade, duração ou freqüência da ansiedade ou preocupação são claramente desproporcionais ao evento temido. Nem sempre há a percepção da inadequação, apesar de existir a dificuldade em parar de se preocupar. Há a excessiva preocupação com circunstâncias cotidianas e rotineiras, tais como responsabilidades no emprego, finanças, saúde da família, ou com questões menores, como tarefas domésticas, consertos no automóvel. Os focos das preocupações podem mudar ao longo do tempo.
Sintomas depressivos e sintomas físicos, como tremores, dores musculares, mãos frias, boca seca, suor aumentado, enjôo, diarréia, aumento da freqüência urinária, dificuldade para engolir ou sensação de "nó na garganta" e uma resposta de sobressalto exagerada estão comumente associados.
O TAG pode ocorrer ao mesmo tempo que outras doenças. É diagnosticado mais em mulheres (55-60%) do que em homens.
A ansiedade e/ou o nervosismo começam na infância ou adolescência em mais da metade dos pacientes que buscam tratamento. A evolução da doença é crônica – mas oscila muito - e freqüentemente piora durante os períodos onde há muitas mudanças e exigências.
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